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[Opinião] Janaína Paschoal faz desabafo após críticas e comete outro grave erro


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[Opinião] Janaína Paschoal faz desabafo após críticas e comete outro grave erro

Já prega o ditado popular que para conhecer o verdadeiro caráter de alguém basta lhe dar poder. Essa é uma máxima observada com frequência na vida política, porque revela o antes e depois dos parlamentares que elegemos, e entre eles está a advogada Janaína Paschoal, eleita deputada estadual por São Paulo no ano passado, pelo PSL.

Após Janaína utilizar suas redes sociais para se manifestar contra a manifestação que está marcada para o próximo dia 26, cometendo o erro de insinuar que o ato foi convocado pelo presidente Jair Bolsonaro, e não espontaneamente pela população, a deputada recebeu uma avalanche de críticas, a maioria vinda dos próprios eleitores.



Hoje, porém, Janaína mais uma vez usou suas redes sociais para voltar a criticar os manifestantes, indiretamente, insinuando que eles não estariam agindo com inteligência. Ela citou o exemplo de uma reunião de deputados feita esta semana para falar sobre "os rumos do país", para ilustrar a inteligência da oposição, veja:

"Em um determinado momento, um dos presentes levantou e começou a entoar o mantra petista (do golpe, da prisão política de Lula, etc). Imediatamente, um outro participante da tal reunião se levantou e disse que se continuasse naquela linha, ele iria se retirar. Antes que os ânimos se acirrassem, um Deputado Estadual do PT propôs: 'Vamos deixar de lado os temas que nos dividem, não vamos nem discutir, por exemplo, Reforma da Previdência, vamos tratar apenas dos temas que temos em comum'", escreveu Janaína.



"Esse Deputado é um dos nomes históricos do Partido dos Trabalhadores. Pergunto: Ele é inteligente, ou ele é burro? Acredito que a resposta seja óbvia. Ele é inteligente e perspicaz. Ele percebeu que se não tomasse as rédeas da situação, a reunião se perderia. Ele captou o que unia (une) todas aquelas pessoas e conseguiu restituir a parceria", completou.

Janaína está quis dizer nas entrelinhas que o petista teve a noção de que para governar é preciso união ("Ele captou o que unia...", disse ela), algo que para ela destoa do comportamento dos eleitores de Jair Bolsonaro, os "bolsonaristas", segundo a deputada. Observe:



"Não, eu não estou elogiando petista, eu estou tentando mostrar o que é ser inteligente. Eu estou tentando mostrar por qual razão eles ficaram tantos anos no poder e, ao que tudo indica, vão voltar. Eu estou tentando dizer que quando muitos dos articulistas que são perseguidos, MBL, Vem Pra Rua, Hélio Bicudo, EU, General Mourão... estávamos colocando nossas carreiras (e vidas) em risco, a maior parte dos bolsonaristas estava fazendo sinal de arminha, arrumando confusão e tirando 'selfie'".

A ilusão do poder autossuficiente




Desse momento em diante Janaína Paschoal começou a exaltar o papel que ela e outras lideranças tiveram na luta contra a esquerda no país, durante o impeachment de Dilma Rousseff e na vitória de Jair Bolsonaro. Sua intenção foi querer utilizar a voz de autoridade baseada nesse histórico para, na prática, se fazer valer contra os que divertem da sua opinião.

A deputada cita episódios que certamente partem de uma ridícula minoria de fanáticos (que existem em todos os lados), aparentemente, fazendo parecer que esse é o retrato da maioria dos manifestantes. Indiretamente, ela associa os "bolsonaristas" à figuras reprováveis e ignorantes que, sim, também existem na direita.



"Não estou falando isso para humilhar ninguém, pois não é do meu feitio. Estou falando isso por ser justa. Estou recebendo vídeos de pessoas absolutamente desconhecidas detonando o Kim. Estou recebendo mensagens insanas dando ordens para pegar os outros na rua. Palhaçada! Não tem outro nome para isso. Enquanto o Deputado Estadual do PT, inteligentemente, está reunindo a turma do lado de lá, para retomar o poder; eu estou falando para as paredes. Entendem?", disse ela.

"Ninguém vai conseguir aprovar reforma chamando todo mundo de ladrão, de traidor, de comunista, de vendido e coisa pior. Ninguém vai conseguir aliados, colocando um alvo na testa de quem trabalhou duro para que esse pessoal chegasse ao poder. Chamar Janaína Paschoal, Kim, Arthur, Lobão... e GENERAL MOURÃO de comunistas não é só injustiça, é IGNORÂNCIA mesmo!", completa.



Janaína chama de "esse pessoal" os eleitores de Jair Bolsonaro, insinuando que foi o "trabalho duro" dela e outros que resultou a vitória do presidente e a derrota da esquerda nos últimos anos. Temos um grave erro aqui, mas antes de pontuá-lo é importante continuar a leitura onde a deputada aprofunda seu raciocínio, confirmando de forma explícita o seu erro. Observe:

"Quando os bolsonaristas estavam no bem bom, eu desafiava o petismo na USP e General Mourão enfrentava a subserviência das instituições aos crimes do petismo. Se os bolsonaristas lessem, se estudassem, se se preocupassem em entender como os outros (inclusive os oposicionistas) pensam, eu não precisaria estar escrevendo o óbvio", disse ela, que por fim, declara:



"Se eu ainda estou gastando o meu português com vocês, é porque acredito que há chances de recuperar o tempo perdido. Acordem enquanto é tempo. As pessoas atacadas foram as que realmente trabalharam pela mudança do país. Não adianta querer apagar os fatos. Nós vamos reconstruir o país. Será mais fácil se vocês estiverem conosco. O convite está feito. Parem de atacar os verdadeiros responsáveis pela mudança de paradigmas!" (grifo nosso).

Quem diria! Janaína Paschoal, tão inteligente, cometendo um grave erro de análise sobre o cenário político do Brasil. Qual é este erro? A deputada deixa claro em suas palavras que a mudança de paradigmas na política brasileira não é mérito do POVO, mas dos que segundo ela "realmente trabalharam pela mudança do país".



Janaína Paschoal chega ao cúmulo de insinuar que a população brasileira, para atuar na vida política, necessita de um convite (risos)! "O convite está feito", disse ela. Ou seja, os parlamentares, assim como ela, uma vez eleitos se tornam os donos da festa? São eles que decidem quem participa ou não do debate público? Se a população não concordar com os rumos da política, ficará de fora da "festa"?

Em outras palavras, é como se a deputada dissesse: o convite está feito, se não aceitar, cai fora!

Mais uma vez, ela faz um pedido que reforça a ilusão de autossuficiência política, quando diz para não atacarem "os verdadeiros responsáveis pela mudança", obviamente, ligando o seu nome, do Movimento Brasil Livre (MBL) e outros ao papel de "senhores" da mudança, oh! dignos de toda veneração!

O povo coloca, o povo tira



No ano de 2014, quando a esquerda política sofreu a sua primeira grande derrota nas urnas em vários estados do país, Janaína Paschoal, general Mourão e os garotos do MBL não eram ninguém! A luta dessas figuras já existia? Certamente sim, porém, como a de todos os demais brasileiros, nos bastidores e restrita aos seus aspaços, cada um do seu modo, 90% anonimamente.

O que Janaína Paschoal, o MBL e até o Olavo de Carvalho, além de outros grupos, parecem ter esquecido nos últimos meses, é que a ascensão deles ao posto de personalidades e lideranças de destaque se deu em consequência da população lhes apoiar, ecoando os seus pensamentos em concordância com um movimento que - já existia - há anos e vinha ganhando fôlego através de vários setores da sociedade. Eles não inventaram esse movimento: eles personificaram!


Foi a população que saiu às ruas desde o início. É obvio que a articulação de grupos como o MBL foi fundamental, mas a verdade é que se tal organização não partisse deles, partiria de outro, entendem? Não foi por acaso, portanto, que outras siglas de movimentos surgiram, como o Vem Pra Rua Brasil.

Semelhantemente, se não houvesse Janaína Paschoal durante o processo de impeachment, haveria outra, cedo ou tarde, de uma forma ou de outra, e a razão disso é porque foi a população, composta por milhões de brasileiros, que pressionou o Congresso Nacional para que houvessem tais mudanças.

O grande erro da deputada, assim como do MBL atualmente e também do Olavo de Carvalho por algum momento, é achar que agora a população não sabe nada de política e que não trabalharam para que eles próprios chegassem ao poder ou à fama, e não o contrário. A surpresa dessas figuras no contexto atual parte daí, porque estão vendo que a mobilização espontânea das pessoas revela independência de pensamento.


Nada disso retira o mérito de Janaína Paschoal, do MBL, do Olavo de Carvalho e tantos outros. Isso apenas resgata neles e no leitor desse texto a certeza de que a mudança de paradigma no Brasil e a vitória de Jair Bolsonaro não é mérito de uma pessoa ou grupo, mas da população. Desprezar essa verdade agora, apenas porque o povo quer pressionar o Congresso para a aprovação de reformas, isto sim é ignorância.

E finalmente, Janaína sugere a necessidade de diálogo e união, ecoando o discurso de figuras como o Rodrigo Maia. Todavia, o diálogo já foi feito. Ministros do governo foram à Câmara e comissões debater as propostas, mas o que receberam em troca? Críticas irracionais e uma oposição desinteressada em debater o mérito das propostas, mas apenas em se opor.


Portanto, se o único diálogo que serve para fomentar a "união" é o da velha política, muito bem representado pela reunião de partidos e parlamentares do "centrão" citados pela própria Janaína Paschoal, o povo verdadeiramente tem muitos motivos para sair às ruas no dia 26 e quantos outros forem necessários. Basta de negociatas e conchavos! Esta é a mensagem.

Quem estiver a favor do Brasil, bem. Quem não estiver, será enxotado para fora da vida política na primeira oportunidade que houver. Simples assim.

Por: Will R. Filho
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