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Ao adotar discurso político, Moro indica que já reconhece a sua derrota judicial


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Sérgio Moro indica que sofrerá derrota judicial contra o presidente Bolsonaro

O ex-ministro Sérgio Moro parece já não fazer mais questão de manter a sua postura, até então, discreta e de pouca comunicação com a imprensa e com às redes sociais.

Desde que renunciou o cargo de ministro da Justiça e fez uma série de acusações contra o presidente Jair Bolsonaro, Moro vem assumindo um comportamento cada vez mais ativo diante do público, algo atípico levando em consideração o seu histórico de vida pública.

Recentemente, por exemplo, o ex-juiz da Lava Jato comentou até mesmo o número de mortos pela pandemia do novo coronavírus, diga-se de passagem: em tom de alarmismo.

"Cenário difícil, em plena pandemia, 13993 mortes até ontem. Números crescentes a cada dia. Cuide-se e cuide dos outros", escreveu Sérgio Moro, que por sinal foi criticado por Bolsonaro, entre outros motivos, por não ter se posicionado em nenhum momento contra a prisão de cidadãos em algumas cidades do país por causa da quarentena.

Moro ecoa a Folha de S. Paulo


Em outra publicação em sua rede social, Sérgio Moro repercute uma matéria bastante apelativa do jornal Folha de S. Paulo, intitulada "Respeitar as instituições e proteger a democracia", a qual defende a divulgação integral do vídeo da reunião entre Bolsonaro e o ex-ministro, em 22 de abril.

Moro destacou um trecho vago da matéria, o qual parece cobrar do Supremo Tribunal Federal a responsabilidade pela divulgação do material da reunião.

“Essa defesa institucional não deve ser exigida apenas para a Polícia Federal. Os órgãos de Estado precisam gozar de autonomia e independência técnica para cumprir suas missões junto à sociedade, dentro dos limites que a lei impõe a cada um", ressaltou o ex-ministro.

Folha de S. Paulo, Veja, Jornal Nacional, além de outros veículos tipicamente ligados à oposição midiática ao governo Bolsonaro, têm sido meios utilizados por Sérgio Moro para se posicionar em defesa própria, o que é estranho considerando a fama dessas mídias junto aos ideais que, até poucos dias atrás, o ex-ministro parecia defender.


Moro cita Paulo Marinho


Outra publicação curiosa feita por Sérgio Moro diz respeito ao caso do empresário Paulo Marinho, que acusou o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) de se beneficiar de um suposto vazamento da Polícia Federal (PF) sobre a operação de 2018, que mirou seu ex-assessor, Fabrício Queiroz.

Moro escreveu: "Espero que os fatos revelados, com coragem, pelo Sr. Paulo Marinho sejam totalmente esclarecidos."

Ora, chama atenção o ex-ministro, que já está envolvido em um inquérito contra o presidente Bolsonaro, dizendo supostamente possui provas contra o mesmo, citar o caso Paulo Marinho sem que este nem mesmo tenha se transformado em investigação.

Em outras palavras, Moro demonstra apelar para todos os cenários possíveis a seu favor, tendo como grande objetivo atingir a confiança popular na imagem da família Bolsonaro. Na prática, isto indica insegurança quanto ao próprio processo judicial.

Cada vez que Moro faz comentários de natureza populista, como "solidariedade às vítimas do coronavírus", os números de mortos "crescentes a cada dia" e o apelo por "fatos revelados" sobre acusações contra o filho do presidente, que nem mesmo é alvo de investigação na Polícia Federal, o ex-ministro revela adotar cada vez mais um discurso político, se afastando do jurídico.

Aras já enxergou a intenção de Moro


A possível motivação política de Sérgio Moro está ficando tão explícita - por causa da ciência cada vez maior de que sofrerá uma derrota judicial - que até o procurador-geral da República, Augusto Aras, já mando um recado para o ex-ministro.

Ao comentar o pedido de Moro para que o STF divulgue o vídeo da reunião entre ele e Bolsonaro na íntegra, Aras frisou:

“A divulgação integral do conteúdo o converteria, de instrumento técnico e legal de busca da reconstrução histórica de fatos, em arsenal de uso político, pré-eleitoral (2022), de instabilidade pública e de proliferação de querelas e de pretexto para investigações genéricas sobre pessoas, falas, opiniões e modos de expressão totalmente diversas do objeto das investigações, de modo a configurar fishing expedition”, disse o PGR, conforme notícia do Partido Brasil.

Por fim, se este cenário de narrativas e fragilidades jurídicas de Sérgio Moro continuar, a tendência é que o ex-ministro adote cada vez mais o discurso político, e como há muitos que o apoiam por verem nele uma figura moderada (o típico "centrão" ajustado), não vai demorar para vermos o seu nome associado a algum partido.
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