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Moro quer sensacionalismo? Defesa do ex-ministro pede para o STF divulgar depoimento


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Moro quer sensacionalismo? Defesa do ex-ministro pede para o STF divulgar depoimento

O desenrolar dos acontecimentos envolvendo o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, soa cada vez mais estranho aos ouvidos de quem construiu uma imagem irretocável sobre o brilhante ex-juiz da operação Lava Jato.

Talvez, o fato de Moro ter deixado a posição de magistrado para assumir um cargo no governo federal, se aproximando do mundo político e da hipótese real de se tornar o futuro presidente do Brasil, tenha despertado no mesmo um lado antes desconhecido do grande público.

A inclinação cada vez maior do ex-ministro para os veículos de comunicação, por exemplo, é uma característica inédita no comportamento de Sérgio Moro, antes visto como alguém de extrema discrição, poucas palavras e evitador de holofotes midiáticos.


Moro quer sensacionalismo?


Essa hipótese de sensacionalismo pode ser levantada pelo fato da defesa de Sérgio Moro já ter solicitado ao Supremo Tribunal Federal, menos de 72 horas após o seu depoimento à Polícia Federal no último sábado (02), a divulgação de todo o seu depoimento, leia-se: mais de 8 horas!

Segundo informações do Jornal de Brasília, a intenção da defesa seria evitar distorções sobre o depoimento de Sérgio Moro, uma vez que a mídia já estaria divulgando trechos do seu conteúdo.

“Considerando que a imprensa, no exercício do seu legítimo e democrático papel de informar a sociedade, vem divulgando trechos isolados do depoimento prestado pelo requerente em data de 02 de maio de 2020, esta defesa, com intuito de evitar interpretações dissociadas de todo o contexto das declarações e garantindo o direito constitucional de informação integral dos fatos relevantes – todos eles de interesse público – objeto do presente Inquérito, não se opõe à publicidade dos atos praticados nestes autos, inclusive no tocante ao teor integral do depoimento prestado pelo requerente”, afirma a defesa.

Todavia, é possível pensar que se não há inconsistências no depoimento de Sérgio Moro e as suas provas são contundentes contra o presidente Jair Bolsonaro, por qual motivo se preocupar com "interpretações distorcidas"?

Existiria, então, margem para interpretações diferentes acerca dos fatos narrados no depoimento de Moro à Polícia Federal? Não seria isso um sinal evidente de fragilidade em seu conjunto de "provas"?

A hipótese mais provável


A divulgação aparentemente precipitada de mais de oito horas de depoimento insinua a intenção de querer "midiatizar" o caso, favorecendo a utilização certamente tendenciosa e especulativa do material do depoente pelos adversários do presidente Jair Bolsonaro, o que inclui grande parte da mídia.

Essa hipótese é reforçada, por exemplo, quando lembramos a coletiva de imprensa feita pelo ex-ministro Moro, em 24 de abril, onde o mesmo pareceu ter deixado reservado para um momento oportuno (leia-se: diante das câmeras) a ocasião em que faria suas acusações contra Bolsonaro.

Mais ainda, a hipótese também é reforçada quando o ex-ministro divulgou para a rede Globo, no mesmo dia da sua coletiva, prints de conversas sem qualquer teor comprobatório específico, incluindo um diálogo com a deputada Carla Zambelli, de quem foi padrinho de casamento.

Isto sem mencionar a entrevista concedida por Moro à revista Veja e outros indícios de midiatismo claramente intencional, muito embora atípicos diante do histórico de figura reservada do ex-ministro.

Com isso, concluímos que a hipótese mais provável sobre a intenção de pedir ao STF a divulgação de todo o depoimento de Moro, a essa altura dos fatos é, sim, provocar o sensacionalismo, pois a defesa do ex-ministro sabe que a grande mídia está a seu favor, o que não significa o lado da Justiça, mas pode, e muito, influenciar a opinião pública.
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